Colorful nights

As noites são quentes. O final do dia é pontuado, invariavelmente, por uma chuva com hora marcada, que apesar de contribuir para a humidade que nos faz andar de roupa colada ao corpo, ajuda também a refrescar um pouco. Quando não é muito forte, sabe bem andar na rua, a sentir a água na cara e nos braços. Mas é uma hora curta, a da chuva. Quando saímos novamente ao final da tarde, o mais normal é ela já ter passado. Ficam os passeios e as ruas molhadas, a tarde um pouco menos quente. Apanhamos o ferry que atravessa o rio Sai Gon para o 2º Distrito. Entre peões e motorizadas, o barco vai cheio. O rio é um rio asiático, largo, forte, cheio de vida, arrastando vegetação com ele. Ao chegar à outra margem do rio, o cenário é diferente daquele que deixamos para trás, com os prédios altos e as ruas largas e bem iluminadas do cento de Ho Chi Minh. Caminhar ao longo desta margem do rio, mostra-nos uma outra faceta da vida vietnamita. Uma pequena rua em cimento segue entre as casas e a margem do rio. Os edifícios iluminados, altos e modernos, do centro da cidade, contrastam com as pequenas casas, de um piso, que parecem ter sido, também elas, arrastadas pelo rio num dia de cheia, e deixadas um pouco ao acaso ao longo da margem. Pouca e esparsa luz artificial, mas a suficiente para podermos ver por onde andamos. E vemos os vietnamitas dentro das suas casas, a preparar o jantar; cá fora na rua, a conversar com familiares e vizinhos; um casal, sentado em cadeiras de plástico, a conversar calmamente na margem do rio, chinelos no chão e cabelo ainda molhado depois do banho refrescante; um homem a descansar numa rede, pendurada numa das pequenas árvores que bordejam a margem; um outro homem, debaixo de uma arvora, a arranjar um ventilador; crianças a brincar na rua; dois casais à conversa, enquanto um dos homens trabalha à volta de uma motorizada. As vendedoras de comida andam pela rua com o que parece ser uma enorme balança à costas. Uma cana de bambu sobre um dos ombros, vai vergada sobre o peso dos recipientes que leva pendurados nas extremidades. Uma capa plástica transparente protege os conteúdos contra a chuva que aparece ao final da tarde, tão certa como um relógio. Num dos lados vai a comida, variada, que é preparada no momento, graças ao pequeno fogão que segue no outro lado. Come-se logo ali, sentado num muro ou em pequenos bancos de plástico. Sente-se a vida a pulsar, como se o rio e a cidade fossem apenas um, um grande animal selvagem mas de bom coração, satisfeito, contente com a vida que corre. Mesmo na cidade, sem o contacto directo com o rio, sente-se também a energia do final do dia. Nas áreas menos abastadas da cidade, os pequenos apartamentos com janelas e portas de grades apenas, que o clima não permite que nos fechemos demasiado sob o risco de sufocar com o calor, as famílias passam as últimas horas do dia em conjunto. As pequenas salas contam com uma televisão, a par do sempre presente altar iluminado. A maior parte das vezes, não há cadeiras ou sofás, e quem quer ver televisão senta-se ou deita-se no chão. As crianças brincam com os vizinhos; os vizinhos juntam-se cá fora e conversam; na rua ainda se vêm as bancas e os cafés abertos. A cidade pode ser outra, o rio pode ser outro também. Mas a vida corre sempre ligada a ele. Hoi An vive também do rio. É por ele que se faz grande parte do comercio e do abastecimento. É nele que se passeiam os turistas. É nele que se deixam os minúsculos barquinhos de esferovite com uma vela acesa, para pedir benesses ao rio e aos deuses. E é nas suas margens que se passa o final do dia, com os mercados, com os vendedores ambulantes, com os jovens sentados nas suas margens, enquanto passam o tempo a conversar. Também Hué, a antiga capital do império, onde se pode visitar o túmulo do último imperador do Vietname, também ela vive com o rio. De um lado a cidade antiga, com a sua cidade proibida e as suas antigas muralhas. Do outro a cidade nova, um legado dos franceses. E o rio a unir a cidade mais do que a dividi-la. Porque é ao rio e do rio que toda a vida chega e parte. Desde os nómadas aquáticos, que vivem em barcos, suportando temperaturas de 40 graus debaixo das chapas metálicas, até aos jovens que saltam das pontes por diversão. É também pelo rio que melhor se pode visitar uma série de templos espalhados ao longo deste. E a presença da água passa para alem das margens do rio. Dentro da cidade antiga há um parque com uma extensa área alagada. Famílias, amigos, escolas de artes marciais, de tudo um pouco se pode encontrar aqui, ao final do dia, a desfrutar do tempo livre.

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Colorsfull of nights
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