Part 3 - Hope

Enquanto fotógrafo tenho gradualmente tomado a consciência de que, através da fotografia que faço, procuro lidar com o sofrimento. Com o meu e com o dos outros. É uma teia complexa de ligações que vou tentando perceber à medida que avanço. Olhar para o mundo e ver o sofrimento dos outros ajuda-me a lidar com o meu.

Há uns anos atrás vi-me confrontado com as imagens de um amigo fotógrafo. Um retrato - sempre pessoal - de uma Cuba luminosa, alegre, elegante, quase perfeita. E houve qualquer coisa que não gostei. Achei que lhe faltava algo. Só muito mais tarde consegui tomar consciência de que o que para mim faltava naquelas imagens, tão perfeitas, era precisamente a imperfeição, a dor, o medo, tudo aquilo que me inquietava. Tudo aquilo que ainda me inquieta.

Este é um trabalho em curso sobre o confronto com uma (in)certa trilogia que tem dominado a minha vida nos últimos anos. A dor tem a ver com perda. O medo está associado à incerteza da mudança. A esperança é mais recente, e tem a ver com as pequenas grandes coisas que me fazem agarrar ao sentimento que a palavra expressa, inevitavelmente entrelaçada com a dor, a escuridão e o sofrimento que vêm, de forma indelével, presos à vida.